Região Sudeste do Brasil

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Região Sudeste do Brasil

Região Sudeste do Brasil é  formada pelos estados de Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Situa-se na parte mais elevada do planalto Atlântico, onde estão as serras da Mantiqueira, do Mar e do Espinhaço. O clima predominante no litoral é o tropical atlântico, e nos planaltos, o tropical de altitude, com geadas ocasionais. A mata tropical nativa que cobria o litoral foi devastada durante o povoamento, em especial nos séculos XVIII e XIX, no período de expansão do cultivo de café. Na serra do Mar, a dificuldade de acesso ajuda a preservar parte dessa mata. No estado de Minas Gerais predomina a vegetação de cerrado; no vale do rio São Francisco e no norte do estado encontra-se a caatinga. O relevo planáltico do Sudeste confere grande potencial hidrelétrico à região. A maior usina é a de Urubupungá, localizada no rio Paraná, divisa de São Paulo e Mato Grosso do Sul. Encontram-se em Minas Gerais as nascentes de duas importantes bacias hidrográficas: a bacia do rio Paraná, que se forma próximo à região conhecida como Triângulo Mineiro, e a do rio São Francisco, que nasce na serra da Canastra.

Formação da população – A miscigenação do português com o índio começa no século XVI, época em que se formam as primeiras cidades, como São Vicente, São Paulo, Rio de Janeiro. O negro escravizado é trazido para a região e passa a contribuir para a formação da população. No fim do século XIX e começo do XX, o Sudeste recebe muitos imigrantes estrangeiros, principalmente italianos, japoneses, alemães, sírios e libaneses, para trabalhar nas lavouras de café. Já na segunda metade do século XX, chegam coreanos, que se instalam sobretudo na cidade de São Paulo. Desde a virada do século XIX para o XX, o Sudeste torna-se o principal destino de migração interna do país. Os nordestinos sempre foram o maior contingente que busca a região. Desde os anos 1980, o aumento do desemprego na indústria e as dificuldades econômicas estimulam um movimento contrário: muitas famílias retornam ao estado de origem. Ainda assim, segundo o Censo de 2000, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população do Sudeste foi a que mais cresceu entre 1991 e 2009.

População – O Sudeste é a região que concentra a maior população do país, somando cerca de 80 milhões de habitantes, que representam 42,6% do total. É também a região com a maior densidade demográfica (85,7 habitantes por quilômetro quadrado em 2009) e com o mais alto índice de urbanização: 90,5%. Abriga as duas mais importantes metrópoles nacionais – São Paulo e Rio de Janeiro. Com Belo Horizonte, as três formam as maiores regiões metropolitanas do país, reunindo 20% da população. O Sudeste responde pela maior parcela da riqueza do Brasil, mas também é a região que mais sofre com o desemprego e o crescimento da violência. Ainda assim, seus indicadores sociais são os melhores do país: o analfabetismo é de 7,5%, a água tratada chega a 88,3 % das casas e o lixo é recolhido em 90,3% das moradias. No Brasil, as médias desses índices ficam em 12,8%, 77,8% e 79%, respectivamente.

Festas populares e gastronomia – Várias festas populares celebradas no interior do Sudeste são de cunho religioso, como a Festa do Divino, os festejos da Páscoa e os dos santos padroeiros, com destaque para a peregrinação à Aparecida (SP), em especial no dia 12 de outubro, em que se comemora o dia de Nossa Senhora Aparecida. A congada (que evoca a coroação dos reis do Congo) é um folguedo, trazido pelos escravos, comum nos quatro estados da região, sobretudo no Espírito Santo. A cavalhada destaca-se em Minas Gerais; no Rio de Janeiro, o jongo e o bumba-meu-boi. Há ainda as grandes festas não religiosas, como o Carnaval e a queima de fogos no réveillon do Rio, as festas de peão de boiadeiro de São Paulo – das quais a mais importante é a de Barretos – e o Festival de Música de Inverno em Campos do Jordão (SP). A culinária do Sudeste guarda forte influência do índio, do escravo e dos diversos imigrantes europeus e asiáticos. Em São Paulo, por exemplo, é difícil apontar um único prato típico. Além da comida caipira do interior e da cachaça de alambique, também representam a cozinha paulista pratos vindos com imigrantes de outros países, como a pizza e o sushi. No Rio são fortes a cerveja e a feijoada. Frango com quiabo, tutu de feijão e o feijão-tropeiro destacam-se no cardápio mineiro, sempre acompanhados de torresmo, couve e angu. Não podem faltar também o pão de queijo nem os doces caseiros. A moqueca capixaba, prato obrigatório no litoral do Espírito Santo, não leva azeite-de-dendê nem leite de coco. É um refogado de peixe, camarão, lagosta, siri ou marisco, temperado com coentro, cebola, alho, tomate, pimenta, limão, azeite de oliva e tintura de urucum. Acompanham arroz e pirão.

Turismo – Campeão em número de visitantes e em movimento de turistas, o Rio de Janeiro perde para São Paulo em faturamento, porque o turismo de negócios é maior na capital paulista. Guarapari e Itaúnas, praias de dunas do município de Conceição da Barra, estão entre as mais frequentadas do litoral do Espírito Santo. Entre as mais procuradas do Rio estão as cidades litorâneas de Armação dos Búzios e Cabo Frio. Em São Paulo, as atrações incluem Campos do Jordão, estância de inverno na serra da Mantiqueira, praias do litoral norte, como as dos municípios de São Sebastião e Ubatuba, e as reservas ambientais no sul, com praias selvagens e cavernas. Em Minas, destaca-se o ecoturismo, como no Parque Estadual de Ibitipoca e na serra da Canastra, além das cidades históricas do ciclo do ouro. São importantes ainda os patrimônios naturais e históricos da humanidade: Ouro Preto (MG), o Santuário de Bom Jesus de Matozinhos (MG), o Centro Histórico de Diamantina (MG) e as reservas de mata Atlântica, na costa do descobrimento (ES/BA) e no litoral de São Paulo.

Transportes – O Sudeste tem a melhor logística de transportes do país: ali estão as maiores redes ferroviária e rodoviária e os mais movimentados portos e aeroportos do Brasil. A privatizada rodovia Presidente Dutra, que liga São Paulo e Rio, é o principal corredor brasileiro de cargas e passageiros, assim como a ponte aérea entre os aeroportos de Congonhas (SP) e Santos Dumont (RJ). Também expressiva é a Fernão Dias, entre São Paulo e Belo Horizonte. Com suas principais rodovias estaduais privatizadas (Bandeirantes, Anhanguera, Castello Branco, Raposo Tavares, Ayrton Senna, Anchieta e Imigrantes), São Paulo tem a maior malha asfaltada, as melhores estradas, o maior número de pedágios e também as mais altas tarifas do país. Entre as hidrovias, a principal é a Tietê-Paraná, ligando São Paulo ao Paraná, no Sul, e a Mato Grosso, no Centro-Oeste. Apesar da privatização, a malha ferroviária ainda é pouco utilizada para grandes distâncias. O maior movimento é o de transporte de passageiros em trens e metrôs nas regiões metropolitanas. Entre os principais portos estão o de Santos, o mais importante em valor de carga importada e exportada, São Sebastião, em São Paulo; os do Rio de Janeiro, de Sepetiba, de Angra e de Niterói, no Rio; e os de Vitória e de Tubarão, no Espírito Santo.

Economia e energia – Movimentada pelas maiores montadoras e siderúrgicas do país, a produção industrial da região é diversificada e de ponta. Com o maior parque industrial do Brasil, o Sudeste responde por 55,7% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional em 2011. É também a região mais urbanizada, com nove em cada dez habitantes vivendo em cidades. Os serviços e o comércio são o principal ramo de atividade e representam 61,1% da riqueza da Região Sudeste; a indústria, 39,1%; e a agropecuária, 4,9%. No fim dos anos 1990, percebe-se relativa queda de investimentos no setor industrial, sobretudo no metalúrgico, em virtude dos incentivos fiscais oferecidos por outras regiões, e principalmente pela recessão do fim da década e pela grave crise de energia de 2001, quando os reservatórios das hidrelétricas atingem níveis baixos e o governo federal determina um racionamento. Em 2002, o nível dos rios se recupera, mas a economia continua a patinar nos anos seguintes. Segundo a Fundação Seade, a região metropolitana de São Paulo, o maior parque industrial brasileiro, fecha 2003 com 19,9% de trabalhadores sem emprego. O quadro começa a melhorar em 2004, com o índice de desemprego caindo para 17,9% no mês de setembro. A recuperação da economia é puxada principalmente pelo aquecimento do setor industrial, que até setembro acumula crescimento superior a 20%.A agricultura demonstra elevado padrão técnico e boa produtividade. A produção de café, laranja, cana-de-açúcar e frutas está entre as mais importantes do país. O Sudeste explora também sua riqueza mineral. No estado de Minas Gerais destaca-se a exploração de numerosa variedade de minérios – em especial as reservas de ferro e manganês na serra do Espinhaço. Da bacia de Campos, no Rio de Janeiro, sai a maior parte do petróleo brasileiro. A descoberta de novas reservas petrolíferas no Espírito Santo e no Rio de Janeiro movimenta a indústria local, que apresenta o maior crescimento do país em 2010 e 2011.

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Região Norte do Brasil

Região Norte do Brasil

Região Norte do Brasil

a Região Norte do Brasil é formada pelos estados de Roraima, Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Tocantins. Localizada entre o maciço das Guianas, ao norte, o planalto Central, ao sul, a cordilheira dos Andes, a oeste, e o oceano Atlântico, a noroeste, a Região Norte é banhada pelos grandes rios das bacias Amazônica e do Tocantins. A maior parte da região apresenta clima equatorial. No norte do Pará e em Rondônia, o clima é tropical. A floresta Amazônica é a vegetação predominante. A região Amazônica é uma das áreas de maior biodiversidade do planeta. Esse patrimônio, entretanto, é ameaçado pelo desmatamento. Só em 2000, a área devastada na Amazônia chega a 587,7 mil quilômetros quadrados. Está no Acre a maior variedade de espécies da região. Em 2001, pesquisadores encontram junto à serra do Divisor, no Alto Juruá, mais de 600 espécies de aves e 1.620 tipos de borboleta. A falta de uma política de desenvolvimento sustentável faz com que o desmatamento continue avançando floresta adentro. Com uma população que cresce duas vezes acima da média nacional, a Região Norte também se expande economicamente para atender às necessidades de seus habitantes, cada vez mais numerosos. E esse crescimento econômico vem à custa do aumento da pecuária extensiva, do avanço da agricultura ao sul e ao leste da região, das ações ilegais de madeireiros e de pressões urbanas para obras de infra-estrutura – todas atividades de grande impacto ecológico. Com o sucesso das plantações de soja no Centro-Oeste, novas fronteiras agrícolas começam a ser abertas em direção à Região Norte, o que pode aumentar o desmatamento. Rondônia e Pará são os estados que mais derrubam árvores na região, enquanto Roraima, Amapá e Amazonas ainda contam com 95% de suas florestas intactas. O estímulo a atividades que não comprometam a preservação da floresta, como as indústrias da Zona Franca de Manaus e a exploração do ecoturismo, além da criação de parques florestais e reservas indígenas, tem impedido um desastre ainda maior. Apesar de o Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) já monitorar a região, falta uma ação mais eficaz por parte da fiscalização, que ainda não dispõe de um número suficiente de agentes.

Formação da população – A Região Norte concentra 306 das 587 áreas indígenas brasileiras, com 84,54% dos 101 mil hectares de terra demarcados. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 213 mil índios de diversas etnias vivem nessa região. Amazonas, Pará e Roraima são os estados com a maior concentração indígena. Os ticunas, no Amazonas, constituem a mais numerosa etnia, com mais de 30 mil índios. No Pará, Amazonas e Tocantins, expressiva parcela da população é originária do Nordeste, sobretudo do Ceará e do Maranhão. No Acre e em Rondônia, há grande concentração de paranaenses e gaúchos, cuja família se mudou para lá nos anos 1970, incentivada pelo governo militar, que queria colonizar a região. Nos anos 1990, como revela o Censo de 2010, do IBGE, Roraima e Amapá se tornam polos de atração com os maiores percentuais do país de moradores não nascidos no estado.

Festas populares e gastronomia – As duas maiores festas populares do Norte são o Círio de Nazaré, que no segundo domingo de outubro reúne mais de 2 milhões de pessoas em Belém (PA), e o Festival de Parintins, a mais conhecida festa do boi-bumbá do país, que ocorre em junho no Amazonas. A herança indígena é fortíssima na culinária do Norte, baseada na mandioca e em peixes. Dos rios amazônicos, as espécies mais conhecidas são o tucunaré, o pirarucu e o matrinxã. Nas cidades de Belém e em Manaus, toma-se direto na cuia indígena o tacacá, espécie de sopa quente feita com tucupi, goma de mandioca, jambu (um tipo de erva), camarão seco e pimenta-de-cheiro. O tucupi é um caldo da mandioca cozida e espremida no tipiti (peneira indígena), que acompanha o típico pato ao tucupi, do Pará. Da ilha de Marajó vem o frito do vaqueiro, feito de cortes da carne de búfalo acompanhados de pirão de leite. A biodiversidade da Amazônia se reflete ainda na variedade de frutas: cupuaçu, bacuri, açaí, taperebá, graviola, buriti, tucumã e pupunha, entre outras.

Turismo – O ecoturismo e o turismo de aventura são as principais atividades na Região Norte. Com visitação controlada, destacam-se no Amazonas o Parque Nacional do Jaú (patrimônio natural da humanidade) e a Área de Proteção Ambiental (APA) de Mamirauá. Ao longo do rio Tapajós, no Pará, das muitas praias a mais famosa é Alter do Chão, em Santarém. As construções da época da borracha atraem turistas para as capitais Belém e Manaus, assim como os hotéis de selva, que eram característicos do Amazonas e começam a se espalhar pelo Acre e por Rondônia. A principal atração turística do Amapá é a pororoca do rio Araguari. O encontro das águas da maré com a foz do rio ocorre a 18 horas de barco de Macapá. Apesar da falta de infra-estrutura, no Tocantins, o rio Araguaia é refúgio de pescadores, e as dunas, o cerrado e as cachoeiras do Jalapão oferecem muita aventura e belíssimas paisagens aos visitantes.

Turismo sexual – Segundo pesquisa feita pelo Ministério da Justiça, pela Organização Mundial do Trabalho (OIT) e por várias ONGs brasileiras, entre 1996 e 2011 a Região Norte concentra 76 rotas nacionais e internacionais de tráfico de mulheres e uma grande incidência de turismo sexual, principalmente nas cidades maiores. A porta de saída mais procurada é a cidade de Manaus e os destinos preferenciais são Guiana Francesa, Suriname e Holanda (Países Baixos).

Transportes – O principal meio de circulação da população e de cargas é o transporte fluvial, já que o aéreo só é acessível à pequena parcela da população de maior poder aquisitivo. Hoje, as rotas de maior circulação estão no baixo Amazonas, entre Belém e Manaus, e no Madeira, entre Manaus e Porto Velho. Depois de finalizada, a Hidrovia Araguaia-Tocantins será um importante corredor de ligação do Norte com o Centro-Oeste e com o Sul e o Sudeste. Com um extenso território pontilhado aqui e ali de cidades isoladas, a Região Norte apresenta baixa taxa de transporte rodoviário e ferroviário. Esse se restringe à ferrovia de Carajás, da Companhia Vale do Rio do Doce, que leva minério de ferro e passageiros do Pará ao Maranhão. As grandes estradas oferecem estrutura precária, por causa da falta de asfalto ou de manutenção, como a Transamazônica (de terra em quase toda sua extensão), a Belém-Brasília, a Belém-São Luís e a Santarém-Cuiabá.

Urbanização – O grau de urbanização da Região Norte é o mais baixo do país: 72,9% em 2009. No entanto, é a região que mais se urbanizou nos últimos anos. Entre 1991 e 2009, segundo o IBGE, o crescimento urbano é de 31,54%. Manaus (AM) e Belém (PA) são as principais regiões metropolitanas. Mas em geral todas as capitais do Norte concentraram população. Palmas é a que mais cresce. A população aumentou em média 25,39% ao ano entre 1991 e 2011.

Economia – A economia baseia-se principalmente no extrativismo vegetal de produtos como látex, açaí, madeira e castanha. A região também é muito rica em minérios. Lá estão a serra dos Carajás (PA), a mais importante área de mineração do país, de onde se extrai grande parte do minério de ferro brasileiro exportado, e a serra do Navio (AP), rica em manganês. A Companhia Vale do Rio Doce, a maior vendedora de minério de ferro do mundo, detém os direitos de exploração dos minérios da região de Carajás, de onde extrai ferro, cobre e ouro. Na média, a economia da Região Norte cresce 55% na década de 1990. Com pequenas economias extrativistas ou agropecuárias, o Amapá cresce 56%; Rondônia, 41%; Roraima, 40%; Tocantins, 36%; e Acre, 34%. O Pará permanece em segundo lugar em produção econômica absoluta na região. Com pequeno crescimento industrial e estável produção de matérias-primas, o estado tem o menor crescimento econômico relativo da região, com 19%. Na década de 1990, o rendimento de um chefe de família na área rural da Região Norte tem a menor variação do país e sobe 27,4%. A média nacional alcança o índice de 52,6%.

Hidrelétricas do Rio Madeira – A construção das usinas hidrelétricas de Santo Antônio e a do Jirau no Rio Madeira no Estado de Rondônia é, na atualidade a maior obra de engenharia do planeta em construção, com investimentos de mais de 30 bilhões de reais. A construção das duas hidrelétricas faz parte do Projeto de Aceleração do Crescimento (PAC) e tem prazo para a sua conclusão em 2014. Após a conclusão das hidrelétricas, os estados de Rondônia e Acre interligarão ao sistema nacional de distribuição de energia elétrica.

Zona Franca – Instalada há 35 anos, a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) constitui um conjunto de políticas de incentivo fiscal que visa a desenvolver a região da Amazônia Ocidental (formada por todos os estados do Norte, com exceção do Pará e do Tocantins). A Zona Franca investe em infra-estrutura e oferece incentivos para que as indústrias se estabeleçam na região. Entre 1990 e 1999, a economia amazonense tem o maior crescimento acumulado do país: 122%. Com mais de 400 indústrias instaladas, o Polo Industrial de Manaus responde por 90% do Produto Interno Bruto (PIB) do estado do Amazonas. Os principais parques industriais do polo são o eletroeletrônico, o de informática, o de motos e bicicletas, o setor químico e o desconcentrados de refrigerante.

Energia – A região tem priorizado a oferta e a redistribuição de energia para seus estados. No Amazonas, como a planície da bacia Amazônica inviabiliza a construção de hidrelétricas, o estado investe na produção de gás natural em Urucu, na bacia do rio Solimões. O projeto prevê que as grandes geradoras de energia elétrica substituirão o óleo diesel de suas termelétricas por gás natural. No Pará, desde 2001 as populações do oeste do estado já podem contar com a energia de Tucuruí, a segunda maior hidrelétrica do país.

Sudam – Por meio de medida provisória, em maio de 2001 o presidente Fernando Henrique Cardoso extingue a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). O órgão extinto facilitava o desvio de verbas públicas. Para substituí-lo, é criada a Agência de Desenvolvimento da Amazônia (ADA), que utiliza critérios mais rigorosos na liberação de recursos. Em 2003, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decide recriar a Sudam, e a ADA passa a ter como função principal organizar a transição. Assim como ocorreu com a Sudene, é criado pelo Ministério da Integração Nacional, o Grupo de Trabalho Interministerial (GTI), para reconstituir a Sudam.

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Região Nordeste do Brasil

Região Nordeste do Brasil

Região Nordeste do Brasil

É formada pelos estados de Maranhão, Piauí, Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe, Paraíba e Bahia. A maior parte do território nordestino é constituída por extenso planalto, antigo e aplainado pela erosão.

Dados sociais – O Nordeste reúne os mais baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDHs) do país. São graves os problemas de mortalidade infantil e há baixa concentração de leitos hospitalares. O Nordeste ainda tem 14,6% de moradores analfabetos, a mais alta taxa do país. Dados do Censo de 2007, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que apenas 30% dos domicílios são servidos por rede de esgoto e 66,4% de água. No Nordeste, 30% dos trabalhadores vivem da agropecuária, e a renda média do chefe de família, na zona rural, é de 186 reais (no Sul, ela chega a 463 reais). De acordo com levantamento de 1999 do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), as 150 cidades com a maior taxa de desnutrição do país são nordestinas. Nelas, uma em cada três crianças menores de 5 anos é desnutrida.

Migração – No primeiro censo demográfico, de 1872, o Nordeste era a região mais populosa do país, com cerca de 4,6 milhões de habitantes (46% da população brasileira). No censo seguinte, de 1890, já é superado pelo Sudeste, situação que se mantém até o último levantamento, em 2010. Já no fim do século XIX, o ciclo da borracha na Amazônia dá início à migração dos nordestinos, que aumenta no século XX para o Sudeste e o Centro-Oeste, com a construção de Brasília. Além da atração econômica de outras regiões, os fluxos migratórios são motivados pelos períodos de seca e sobretudo pelas condições precárias de vida, mesmo nas regiões não atingidas pela estiagem. Dados do Censo de 2010 indicam que, apesar de o Nordeste continuar perdendo população para as outras regiões, o saldo entre saídas e entradas tem decrescido, evidência de que o movimento de emigração diminui. A Região Sudeste, o maior destino dos nordestinos, também é a principal origem das entradas nos anos 1990, caracterizando a chamada "migração de retorno", como define o IBGE.

Turismo – O grande número de cidades litorâneas com belas praias contribui para o desenvolvimento do turismo. Muitos estados investem na construção de parques aquáticos, complexos hoteleiros e polos de ecoturismo. Novas cadeias hoteleiras se instalam na região, como a Costa do Sauípe, 60 quilômetros ao norte de Salvador, e novas rotas são criadas, como a linha aérea direta para Jericoacoara, um dos paraísos do litoral cearense. Ao norte de Natal, Maracajaú é reduto de aventureiros, mas muda de vocação: torna-se um dos maiores centros do mergulho nacional. As micaretas, carnavais fora de época, também são decisivas para o incremento do turismo. Outras atrações são os patrimônios da humanidade: os centros históricos de Olinda (PE), Salvador (BA) e São Luís (MA), o Parque Nacional da Serra da Capivara (PI) e as reservas de Fernando de Noronha (PE) e de Atol das Rocas (RN). Os estados do Nordeste buscam aumentar sua participação no turismo de negócios, muito concentrado em São Paulo. Segundo levantamento do Programa de Ação para o Desenvolvimento Integrado do Turismo no Nordeste, o gasto médio diário do turista tradicional é de 67 dólares, enquanto o turista em viagem de negócios ou convenções gasta por dia de 107 a 128 dólares.

Exploração sexual – A miséria da população combinada com o crescimento do turismo tem pelo menos dois efeitos perversos: o turismo sexual e a exploração de crianças e adolescentes, cujos índices avançam nas principais capitais. Segundo a primeira Pesquisa sobre Tráfico de Mulheres, Crianças e Adolescentes para fins de Exploração Sexual, realizada pelo Ministério da Justiça e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) com a ajuda de várias ONGs, há 109 rotas internas e 131 rotas internacionais de tráfico de mulheres e menores no Brasil. Dessas rotas, 69 passam pelo Nordeste. O Recife é o principal ponto de saída de mulheres. Na Europa, os principais destinos são Espanha, Holanda (Países Baixos), Itália, Portugal e Suíça.

Festas populares e gastronomia – O Carnaval é o evento popular mais famoso do Nordeste, especialmente em Salvador, Olinda e no Recife. Também as festas juninas de Caruaru (PE) e Campina Grande (PB) se destacam. Os festejos do bumba-meu-boi são tradicionais nos nove estados da região. As micaretas espalham-se por todo o país, mas a pioneira é a de Feira de Santana (BA), onde a festa foi criada em 1937. Promovida anualmente na última semana de abril ou na primeira de maio, é a principal micareta do interior. As maiores, no entanto, são o Carnatal, de Natal (RN), em dezembro, e o Fortal, de Fortaleza, em julho. A culinária nordestina se destaca pelos temperos fortes, pelas comidas apimentadas, pela carne-de-sol e pela variedade de receitas com peixes e frutos do mar. No sertão, são famosos a buchada de bode e o sarapatel. No desjejum do nordestino não costuma faltar a tapioca (espécie de beiju de farinha de mandioca). Por causa do tradicional cultivo da cana, é comum o mel de engenho, ou melado. Na sobremesa, além das frutas tropicais, destacam-se o mungunzá (canjica, em alguns estados do Sudeste) e a canjica, que, no Nordeste, é uma espécie de pudim de milho.

Urbanização – A concentração da população urbana passou de 60,6% em 1991 para 69,1% em 2003. Ainda assim, essa taxa é uma das mais baixas do país, cujo grau de urbanização é de 81,2%. Fortaleza (CE), polo industrial e de turismo, é a região metropolitana emergente dos últimos anos. Destaca-se também a região metropolitana do Recife (PE), que, além do forte atrativo turístico e comercial, vem se consolidando como centro de excelência em eletroeletrônica, graças às pesquisas realizadas nos laboratórios da Universidade Federal de Pernambuco. Mas a principal região metropolitana do Nordeste ainda é Salvador (BA), cidade com enorme movimento de turistas.

Economia – Nos últimos anos, a economia nordestina tem apresentado crescimento. Com a guerra fiscal (concessão de benefícios fiscais pelos governos estaduais), uma série de indústrias se instalou nos estados nordestinos para fugir da carga tributária e fiscal mais pesada no Sul e no Sudeste. Foi assim com a Ford, que se estabeleceu na Bahia, e com empresas têxteis que foram para o Ceará. A Região Nordeste é a segunda produtora de petróleo do país e a maior na extração de petróleo em terra, que sai principalmente do Rio Grande do Norte. Na região funciona um dos principais polos petroquímicos, o de Camaçari (BA). A agricultura e a pecuária sofrem com os longos períodos de seca. A melhor adaptação das cabras ao clima local faz com que o Nordeste tenha o maior rebanho caprino do país, com mais de 8 milhões de cabeças, concentradas principalmente na Bahia e em Pernambuco. Por requerer pouca água, a produção de mel começa a ganhar força, principalmente no Piauí. As condições climáticas da região também permitem que o Nordeste tenha significativa produção comercial de camarão. A região é responsável por mais da metade das exportações desse crustáceo e concentra 93% da produção nacional. O Rio Grande do Norte e o Ceará são os maiores produtores. A cana-de-açúcar é o principal produto agrícola da região, mas as lavouras irrigadas de frutas tropicais vêm crescendo em importância na produção nacional. Segundo o governo de Pernambuco, de cada 3 dólares que entram no país em exportação de fruta, 1 foi gerado nessas áreas. Na última década, a plantação de frutas triplica e substitui culturas tradicionais, como o feijão. O polo de Juazeiro (BA) e o de Petrolina (PE) são líderes na produção nordestina. A Bahia produz mais de um terço da banana do Nordeste e cerca de metade do tomate. Grande parte da uva de mesa produzida no país é originária desse polo, onde a manga é a segunda cultura em área plantada. Destacam-se ainda acerola, melão e goiaba. O melão também é importante no Rio Grande do Norte e no Ceará, em cujo sertão irrigado também aumenta o cultivo de flores, que abastece o mercado do Sudeste.

Transposição do Rio São Francisco – O governo inicia as obras de transposição do Rio São Francisco em 2008 reacendeu o debate sobre a eficácia do projeto no combate à seca no Nordeste e seus possíveis riscos ambientais. A obra prevê a construção de 720 quilômetros de canais que irão transferir de 1% a 3% das águas do "Velho Chico" para pequenos rios do agreste e semi-árido do Ceará, do Rio Grande do Norte, da Paraíba e de Pernambuco, beneficiando 8,5 milhões de pessoas. Já os estados doadores das águas – Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe – devem ganhar compensações na forma de obras de revitalização da bacia do Rio São Francisco. O projeto sofre oposição do Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco, que defende o uso das águas desviadas apenas para casos emergenciais, como consumo humano e animal. Já o governo é favorável à liberação das águas para a agricultura e a indústria sempre que houver disponibilidade. Alguns especialistas acreditam que a construção de poços para captar a água dos lençóis subterrâneos e de cisternas para coleta da chuva é a alternativa mais eficaz e barata no combate à seca. A redução no fluxo do Rio São Francisco também causará diminuição na geração de energia para o Nordeste. Essa perda pode ser suprida pela energia gerada no rio Tocantins, já que o sistema é interligado. O início das obras depende da autorização pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos e da concessão da licença ambiental pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Sudene – Por meio de medida provisória, em maio de 2001, o presidente Fernando Henrique Cardoso extingue a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). A decisão é atribuída ao fato de a estrutura de funcionamento da estatal, criada há 43 anos, facilitar o desvio de verbas públicas. No lugar, é criada a Agência de Desenvolvimento do Nordeste (Adene). Em 2003, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decide recriar a Sudene. A Adene passa a ter como função principal organizar a transição. É criado, também, pelo Ministério da Integração Nacional, o Grupo de Trabalho Interministerial (GTI), para reconstituir a superintendência.

As diferentes regiões do Nordeste
Por causa das inúmeras características físicas que apresenta, a Região Nordeste é dividida em quatro sub-regiões: meio-norte, zona da mata, agreste e sertão. O meio-norte compreende a faixa de transição entre o sertão semi-árido do Nordeste e a região Amazônica. A vegetação natural dessa área é a mata de cocais, carnaúbas e babaçus, em sua maioria. As atividades econômicas de maior destaque são o extrativismo vegetal, praticado na mata de cocais remanescente, a pecuária extensiva e o cultivo do arroz e do algodão. A zona da mata compreende uma faixa litorânea de até 200 quilômetros de largura que se estende do Rio Grande do Norte ao sul da Bahia. O clima é tropical úmido e o solo é fértil por causa da maior incidência de chuvas. A vegetação natural é a mata Atlântica, praticamente extinta e substituída por lavouras de cana-de-açúcar. Além da cana, do cacau, do fumo e da lavoura de subsistência, destaca-se ainda a produção de sal marinho, principalmente no Rio Grande do Norte. O agreste é a área de transição entre a zona da mata, úmida e cheia de brejos, e o sertão semi-árido. A principal atividade econômica nos trechos mais secos do agreste é a pecuária extensiva; nos trechos mais úmidos é a agricultura de subsistência. Já o sertão é uma extensa área de clima semi-árido, que no Rio Grande do Norte e no Ceará chega até o litoral. As chuvas são escassas e mal distribuídas. A vegetação típica é a caatinga. A bacia do rio São Francisco é a maior da região e a única fonte de água perene para as populações que habitam suas margens. As maiores concentrações humanas estão nos vales dos rios Cariri e São Francisco. A pecuária é a principal atividade econômica, ao lado do cultivo irrigado de frutas e flores.

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Região Centro-Oeste do Brasil

Região Centro-Oeste do Brasil

Região Centro-Oeste do Brasil

É formada pelos estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e pelo Distrito Federal. O relevo da região, localizada no extenso Planalto Central, caracteriza-se por terrenos antigos e aplainados pela erosão, que originaram chapadões. A oeste do estado de Mato Grosso do Sul e a sudoeste de Mato Grosso encontra-se a depressão do Pantanal Mato-Grossense, cortada pelo rio Paraguai e sujeita a cheias durante parte do ano. O clima da região é tropical semi-úmido, com frequentes chuvas de verão. A vegetação é de cerrado nos planaltos. No Pantanal, os campos cerrados dividem o espaço com a floresta, que se torna mais fechada e úmida na região norte de Mato Grosso.

Meio ambiente – No início da década de 1990, restam apenas 20% da vegetação original do cerrado. Em Goiás, as práticas ambientalmente agressivas adotadas pela agricultura esgotam os mananciais e poluem o solo. Em Mato Grosso, novas fronteiras agrícolas e empresas do setor madeireiro desmatam a vegetação nativa. Em 2000, o Pantanal recebe da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) o título de patrimônio natural da humanidade.

Formação da população – Ainda no Brasil colônia, o povoamento do Centro-Oeste resulta de dois movimentos migratórios. Um vem do Sul e do Sudeste, em virtude do transporte de gado às fazendas que ali começaram a instalar-se e da ação dos bandeirantes paulistas. Outro movimento vem do Nordeste, também ligado ao comércio de gado, que acaba criando e fortalecendo os primeiros povoados da região. A partir do século XVII, o imigrante português se fixa ali, vindo de São Paulo e da Bahia, misturando-se ao índio. Do Paraguai e da Bolívia chegam os espanhóis. A essa mistura se soma o negro, trazido para as fazendas de gado no período da escravidão. No século XX, as maiores ondas migratórias vêm do Nordeste e ocorrem a partir dos anos 1950, com a construção de Brasília. Nessa época, grandes contingentes populacionais provenientes do Sul e do Sudeste também chegam à região em busca de emprego e melhores oportunidades. Mais recentemente, o movimento migratório origina-se de duas regiões em particular: Nordeste e Norte. De cada três pessoas que deixam a Região Norte, uma se dirige para o Centro-Oeste, de acordo com o Censo Demográfico de 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Turismo – Nessa região, o turismo gira em torno das belezas naturais. A mais conhecida é o Pantanal, a maior bacia inundável do mundo, com vegetação e fauna variadas. Outras atrações são as chapadas – como a dos Guimarães e a dos Veadeiros, em Goiás. No sudoeste goiano destaca-se o Parque Nacional das Emas. Os turistas também visitam Brasília, a capital do país, fundada em 1960 e caracterizada pela moderna arquitetura. As cidades históricas de Pirenópolis e Goiânia, ambas em Goiás, preservam construções com mais de 200 anos. Declarada patrimônio da humanidade pela Organização das Nações Unidas (ONU), a cidade de Goiás passa em 2002 por um processo de recuperação de parte de seu casario colonial, destruído por uma forte enchente no começo daquele ano. Em Mato Grosso do Sul, tem grande desenvolvimento o ecoturismo, principalmente o mergulho na região de Bonito, na serra da Bodoquena, ao sul do estado.

Festas populares e gastronomia – São manifestações culturais típicas da Região Centro-Oeste a cavalhada, no estado de Goiás, e o cururu, em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A cavalhada é uma apresentação teatral ao ar livre em que homens montados a cavalo representam uma luta medieval entre cristãos e muçulmanos. Essa é uma das principais atrações da Festa do Divino de Pirenópolis, em Goiás. Dança de provável origem indígena, o cururu homenageia santos padroeiros de cidades do interior mato-grossense e goiano. Os homens, únicos participantes da festa, dançam em círculos ao som de viola-de-cocho e reco-reco. Todos os anos, mais de 10 mil turistas se dirigem para a cidade de Goiás durante as comemorações da Páscoa, quando ocorre a Procissão do Fogaréu, na quarta-feira da Semana Santa. De origem indígena, a culinária do Centro-Oeste recebe forte influência paulista e mineira, em Goiás, e também gaúcha, paraguaia e boliviana, nos outros dois estados. Destacam-se entre os pratos principais a galinhada com pequi e guariroba, o empadão goiano, os peixes do Pantanal – como dourado, pacu e pintado –, o churrasco e a sopa paraguaia. O pequi, uma fruta típica da região do cerrado, quando servido inteiro, é usado como tempero e jamais deve ser mordido, pois tem centenas de minúsculos espinhos.

Transportes – Por causa da construção de Brasília e da expansão das fronteiras agrícolas em Mato Grosso, a rede de transportes da região se multiplica. A Ferronorte (Ferrovia Norte do Brasil), que já opera em alguns trechos, e a Hidrovia Paraná-Tietê ajudam a escoar as cargas da região para os portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR). Em 2005, o governo federal retoma as obras para recuperação da rodovia Santarém-Cuiabá, que liga a região até o rio Amazonas, para melhorar o acesso até as capitais de Manaus e Belém. Parcialmente em operação, a Hidrovia Araguaia-Tocantins liga os estados de Mato Grosso e Goiás a Tocantins, Pará e Maranhão, chegando até Porto Franco, no litoral do Maranhão. Por enquanto, ela só é navegável no trecho do rio Araguaia, mas isso já representa uma economia de 43% em relação ao transporte rodoviário. A conclusão dessas obras de infra-estrutura é fundamental para agilizar o transporte da produção agrícola e baratear os custos. A execução desses projetos sem uma devida análise de impacto ambiental pode trazer mais danos a uma região já bastante afetada ecologicamente.

Economia – A atividade econômica baseia-se, inicialmente, nos garimpos de ouro e diamante, que são gradativamente substituídos pela pecuária e pela agricultura. A Região Centro-Oeste é abastecida em grande parte pela energia de Itaipu; desde 1999, com a implantação do Gasoduto Brasil-Bolívia, as usinas termelétricas da região são alimentadas com gás natural. O crescimento econômico da região deve-se principalmente ao bom desempenho do setor agropecuário. Com mais de 66 milhões de cabeças de gado, o rebanho bovino do Centro-Oeste é o maior do país. Na agricultura, os principais produtos são o algodão, a cana-de-açúcar, o milho, o sorgo e, principalmente, a soja, cuja colheita responde por metade de toda a produção nacional. A grande produção de grãos beneficia indiretamente a indústria e o comércio. Por outro lado, a região enfrenta o desafio de aliar o crescimento econômico com a preservação ambiental. A adaptação da soja ao solo do cerrado devastou grande parte da vegetação local, e a cultura do grão avança perigosamente para o norte de Mato Grosso, rumo à floresta Amazônica. Os recursos minerais mais importantes são calcário, água mineral, cobre, níquel, ferro-nióbio e amianto – cujo uso vem sendo proibido em alguns países e estados brasileiros por causar graves problemas à saúde quando inalado. No maciço do Urucum, no Pantanal, estão as maiores reservas de manganês do país, mas elas são pouco exploradas, porque o acesso é bastante difícil.

Urbanização – A região vive intenso processo de urbanização. Na década de 1970, a população rural representa cerca de 60% do total de habitantes, índice que em 2011 cai para cerca de 9,3%. Essa alteração decorre não só do êxodo rural, consequência direta dos programas de mecanização da agricultura, mas também do aumento do fluxo migratório de outras regiões para os centros urbanos do Centro-Oeste. A nova distribuição populacional exige dos estados grandes investimentos em infra-estrutura urbana e no setor de serviços. Atualmente, a Região Centro-Oeste registra indicadores sociais e de qualidade de vida abaixo da média brasileira. Uma exceção é o Distrito Federal, que apresenta as melhores taxas de escolaridade, além da maior renda per capita do país. No entanto, mesmo no Distrito Federal, as cidades-satélites de Brasília têm elevada favelização e déficits escolar, habitacional e de transportes. Algumas dessas cidades surgem como moradia dos "candangos", nome pelo qual eram conhecidos os operários que trabalharam na construção da nova capital nas décadas de 1950 e de 1960. Dos anos 1970 em diante, a chegada de muitos migrantes atraídos para Brasília acaba inchando as cidades-satélites, cujos índices de violência se aproximam dos de regiões metropolitanas como São Paulo e Rio de Janeiro.

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Principais Planícies Brasileiras

Principais Planícies Brasileiras

Principais Planícies Brasileiras

Planícies Brasileiras
As planícies cobrem mais de 3.000.000 de km² do território brasileiro. Dividem-se em três grandes áreas: a Planície Amazônica, a planície litorânea e o Pantanal Matogrossense. 

Planície Amazônica 
A mais extensa área de terras baixas brasileiras está situada na região Norte. Trata-se da planície Amazônica e planaltos circundantes, localizados entre o planalto das Guianas (ao norte), o planalto Brasileiro (ao sul), o oceano Atlântico (a leste) e a cordilheira dos Andes (a oeste). A planície, propriamente dita, ocupa apenas uma pequena parte dessa região, estendendo-se pelas margens do rio Amazonas e seus afluentes. Ao redor dela aparecem vastas extensões de baixos-platôs, ou baixos-planaltos sedimentares. Observando-se a disposição das terras da planície no sentido norte-sul, identificam-se três níveis altimétricos no relevo: * Várzeas, junto à margem dos rios, apresentando-se terrenos de formação recente, que sofrem inundações frequentes, as quais sempre renovam a lâmina do solo; * Tesos ou terraços fluviais, cujas altitudes não ultrapassam os 30 m e que são periodicamente inundados; * Baixos-planaltos ou platôs, conhecidos localmente por terras firmes, salvos das inundações comuns, formados por terrenos do Terciário. 

A mais típica das planícies brasileiras é a planície do Pantanal, constituída por terrenos do Quaternário, situada na porção oeste de Mato Grosso do Sul e pequena extensão do sudoeste de Mato Grosso, entre os planaltos Central e Meridional. Como é banhada pelo rio Paraguai e seus afluentes, é inundada anualmente por ocasião das enchentes, quando vasto lençol aquático recobre quase toda a região. As partes mais elevadas do Pantanal são conhecidas pelo nome indevido de cordilheiras e as partes mais deprimidas constituem as baías ou largos. Essas baías, durante as cheias, abrigam lagoas que se interligam através de canais de corixos. 

Planície Litorânea 
As planícies e terras baixas costeiras formam uma longa e estreita faixa litorânea, que vai desde o Amapá até o Rio Grande do Sul. Em alguns pontos dessa extensão, o planalto avança em direção ao mar e interrompe a faixa de planície. Aparecem, nesses pontos, falésias, que são barreiras à beira-mar resultantes da erosão marinha. A planície costeira é constituída por terrenos do Terciário, que se apresentam como barreiras ou tabuleiros, e por terrenos atuais ou do Quaternário, nas baixadas. As baixadas são frequentes no litoral e as mais extensas são a Fluminense, a Santista, a do Ribeira de Iguapé e a de Paranaguá. As planícies costeiras dão origem, basicamente, às praias, mas ocorrem também dunas, restingas, manguezais e outras formações.

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