ANDALUZIA - REGIÃO DA ESPANHA

Tags

Andaluzia
O nome Andaluzia, para muitos, vem de "Vandaluzia", designação que se teria dado à região nos tempos em que esteve ocupada pelos vândalos. Desde 1981 comunidade autônoma na Espanha, a Andaluzia limita-se ao norte com a Estremadura e Castela, ao sul com o mar Mediterrâneo, a leste com a Múrcia e a oeste com Portugal e o oceano Atlântico. Com uma superfície de 87.966km2, o território andaluz, na maior parte montanhoso, compreende as províncias de Huelva, Sevilha, Córdoba, Jaén, Cádiz, Málaga, Granada e Almería.

Caracteristicamente mediterrânea e com história própria, a Andaluzia foi ponto de encontro de muitas raças, onde particularmente os árabes deixaram marcas profundas -- na linguagem, nas artes e nos costumes de cidades como Sevilha, Córdoba e Granada.

A serra Morena, que constitui sua fronteira norte, estende-se sem grandes altitudes por 600km. O vale do rio Guadalquivir a separa das cordilheiras béticas, debruçadas sobre o Mediterrâneo. Integrando os enrugamentos alpinos, essas cordilheiras originam-se de terrenos mesozóicos e paleozóicos dobrados na era cenozóica, e apresentam na serra Nevada as maiores elevações da península ibérica: os picos de Mulhacén (3.478m) e Veleta (3.327m). Além do Guadalquivir, outros rios de importância para a Andaluzia são o Guadiana, o Odiel, o Tinto e o Guadalete.

O clima mediterrâneo, muito seco e quente, tem uma variação pluviométrica de 400 a 600mm anuais. Nas serras essa tendência se suaviza, surgindo mananciais e até geleiras. Há ainda outras significativas diferenças locais, como a influência oceânica em Cádiz e adjacências. O sudoeste e o sul da Andaluzia encontram-se no vértice da ponta Marroqui, no estreito de Gibraltar. Do outro lado a uns vinte quilômetros, está a África --  Ceuta e Marrocos.

Uma percentagem muito alta da população andaluza vivia no campo, trabalhando em grandes propriedades, mas nas últimas décadas emigrou, tanto para os principais centros urbanos da região (Sevilha, Córdoba, Málaga, Granada), como para outras regiões da Espanha e de países estrangeiros. Nos anos mais recentes essa mobilidade vem diminuindo, porém os problemas econômicos e sociais estão crescendo. A costa de Málaga, internacionalmente conhecida como costa do Sol, vem apresentando um crescimento populacional semelhante ao das cidades do vale.

História e cultura. Entre 2000 e 500 a.C. os fenícios e os gregos estiveram no litoral andaluz. Situou-se aí o reino de Tartessos, que nos séculos VII e VI atingiu o auge, sendo depois destruído por Cartago. Dois séculos mais tarde os romanos tomaram a região. Os vândalos chegaram no século V da era cristã, seguidos pelos visigodos e depois por tropas do imperador de Bizâncio, Justiniano. No século VIII, os árabes atravessaram o estreito de Gibraltar e deram a toda a península ibérica o nome de "al-Andalus".

A dominação durou quase oito séculos e foi magnificamente proveitosa: a Andaluzia tornou-se um dos maiores centros da civilização muçulmana, Córdoba ganhou mesquitas e palácios impressionantes, uma biblioteca de 400.000 volumes, manufaturas de seda e couro. O apogeu foi o califado de Abd al-Rahman III, no século X. Também Sevilha, Málaga e Almería prosperaram muito. Nos séculos seguintes, a divisão interna, o triunfo dos reis cristãos e a descoberta da América alteraram a fundo os destinos da região. A região ainda teve dias de glória, mas depois entrou em franco declínio.

Hoje, além dos olivais e vinhedos, da indústria extrativa e petroquímica, a Andaluzia vive também de sua cultura, suas touradas, seu folclore. Terra de esplêndida arte mourisca (em Córdoba, mesquita e palácio de Madinat al-Zahra; em Sevilha, o Alcázar; em Granada, o Alhambra e o palácio do Generalife), de arte renascentista e barroca, é igualmente berço de alta literatura, árabe e espanhola, em que avultam nomes como os de Ibn Guzmán, Góngora, Antonio Machado, Juan Ramón Jiménez, Federico García Lorca. A Andaluzia destaca-se ainda por seu rico folclore, que tem na música e na dança do flamenco um de seus elementos mais característicos. Manuel de Falla nasceu em Cádiz e deu a toda sua música um frêmito andaluz.